6.16.2009

Ikaria

Por ti, verdumância da floresta,

Espanto de idílica fantasia,

Eu respiro a cobardia

De um horizonte longínquo.


Por Ikaria me renego,

Não sei quem fui e só de onde vens

Posso escutar o esgotamento

Do bater arrítmico das emoções.


Nórdicas imaginações estéticas

De bétulas, pinheiros e acácias,

Que para além das minhas falácias

Me entretêm enquanto penso,

Porque aquecem-me o entretenimento

Por razões mais que presentes

E intenções tão divergentes

Como o fulgente pasmo do aroma.


Por ti, seara fértil,

De corpo não sentido,

Perco-me infindável

Pelo imenso castigo,

Pelo tudo ou nada

De um trono que não existe,

Quando o que não dizes

É sempre compreendido.


Vejo o meu sol como castigo

E não mais tardes de solidão,

Que no murmúrio dos tempos

Sobejam-me vagas de ilusão.


Que de tão brandos os gestos,

De tão brancos nos leitos,

De tanta cor são os versos feitos

Nos silêncios dos meus campos.


Pelos teus olhos claros dilatados

E por tanto luar sinto ardor,

Do gosto perfumado,

Do corpo em fogo,

Do meu ânimo em flor.

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