6.19.2009

Escrita

Adormeço de súbito

Sem os sentidos esperados,

Prevendo desígnios triunfantes

Nos meus tormentos guardados.

Vejo-me por fora, não ausente,

Preso no raciocínio displicente

De quem quer ver

Sem ser inteiramente visto.


Refaço o alinhamento suspenso

Por consentir com a pauta

Onde conjuro por enleio

O franco discernimento

Em que patenteio

Os precursores dos eventos,

Quadro coloridos, sem tons esbatidos,

Sofismas do meu arrependimento.


Desencadeio a cascata de reacções

Pelo meio que me controla

E por não sofrer de aliterações

Extingo-me da raiva e da cólera…

Mas sigo sempre por aí a vociferar

E a estranhar-me pela demora

Das minhas averiguações dormentes,

Da falta de eternos presentes

E da minha redenção.

2 comentários:

Leto of the Crows disse...

Está lindo, como sempre. Uma dissonância irrevogável que branda alto aos céus (e aos Infernos) o descontento.

Abraços!

João Afonso Adamastor disse...

:D