6.25.2009

Desalento Fundamental


Não consigo deixar os versos, a fantasia.

Nem consigo parar de pasmadamente reparar

Em tais feições de alegria.

E, em cada ciclo desta penosa jornada,

Espero o novo dia em que a timidez,

Sem jeito, afortunada,

Ofereça-me como dádiva de coragem iluminada

As percepções do teu encanto,

Permitam involuntariamente os desígnios serenos

Da dor que deveras sinto…

Encontrar-te nas palavras que sou,

Sempre que te vejo, quando nunca estou.


O que me constrói nunca ninguém viu,

Um espelho rígido que o mundo destruiu.

Frio a factos fúteis, dedicado aos enigmáticos,

Escondo-me da luz renunciando à atenção

De cenários paradigmáticos.

A vida não sustenta um guião...

Escrevo eu o meu, por própria pura compaixão,

Na vontade libertina de adorar o que é perfeito.


Sou distante, diferente do normal.

Sou o intermédio entre o génio e o louco,

O estranho e o fenomenal.

As únicas leis que respeito são as da consciência,

Da lógica, da razão…

Ausente de preconceitos de fácil ambiguidade,

Prevalecem intuições da divina simplicidade,

Dedicado, humilde e fiel à dor presente.


Tivesse eu apenas o que nunca tive,

Seria feliz por isso?

Continuamente vejo perder-me

Nos desejos que incitam ao desatino,

Agonistas de momentos do rasgo de génio libertino,

Porque o fardo do tempo é um desalento

Para quem só o vê passar...

Encontrei o que é perfeito

Encontrando o meu luar.

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