4.21.2009

Outras dimensões (III)

Mais uma vez, uma e outra vez,
Perco-me pela metafísica do sonho.
O lugar onde não me encontro,
Onde justamente apenas suponho
Responder às minhas indefinições.

Desvio-me do caminho
À procura de justificações,
Para o modo como me expresso,
Nos traços confusos das alucinações.
Invento-me e escondo-me
Daquilo que nunca vi,
Uma manhã tão desperta
Como aquela em que senti
O mundo estranhamente satisfeito
Com os sonhos que construí.

O cinzento não me inibe,
Pintando o mundo com as cores
Desmedidas dos meus desejos...
Prefiro soltar versos
Difíceis, arqueados, confundidos
Quando viajo à deriva
Numa nova fantástica dimensão,
Solidariamente comprometidos
À aurora das brumas
Em que os vejo com predilecção
Pelos tons perturbantes
De uma expansiva dedicação.

Acordo onde o sol se põe,
Sem sentir o seu conforto,
Vivendo onde não vivia...
Sentindo o pulsar eminente
De um dia diferente,
Onde me sinto tão igual
Como nunca me sentia.
Só nesta nova dimensão
Desfruto o prazer displicente
Da mais radical alegoria.

2 comentários:

Joli disse...

És um verdadeiro poeta ^^

Leto of the Crows disse...

Os sonhos são o reflexo da alma.

Madame Joli tende razão ao fazer tal afirmação ^^