4.16.2009

Encontro

Vejo-te chegar no teu passo calmo e brando,
Solto um cúmplice olhar ao teu sorriso gracioso
Por sentir o voluptuoso aroma do teu jeito ligeiro
De te fazeres mostrar quando nos vêm cumprimentar
As palavras e os fonemas dos sonhos e das aflições…
Só na dúvida me perco por tamanhas ilusões derradeiras,
Como se previsse que na fatalidade do teu toque aconchegante
Se realizem os teus mais ávidos e imediatos desejos maiores,
Ao sangrarem-me as prometidas emoções patéticas.
Assim a solene angústia eufórica começa em mim
Só por enaltecer o murmúrio das batidas do coração
Quebrando-se no meu peito desfeito em feitiços
De trágicas expectativas, esperanças e tormentos…
Como se quisessem abrir em mim uma porta
Que facilitasse a dispensável comunicação,
Dizendo-te uma qualquer palavra de apreço ou saudação,
Oferecendo-te a vulgaridade da estima que dominas,
Avaliando a nobreza dos encantos que sublimas,
Na minha humilde, funesta e distintiva contemplação.
O encontro começa assim, como se por anseio
Existisse a imaculada gravidade do fascínio
No ardor do teu reflexo estático em paradoxo
Com a forma sedutora como me impões,
Perante os contraste de luz e o silêncio do teu olhar,
A graciosidade que tu já tens e em todo o tempo tiveste,
A magnificência que nunca precisaste sustentar…
Tudo isso me cumprimenta em cada noite
E tudo isso é como se me beija-se sibilinamente,
Dia após dia, mudando as feições do teu rosto
Por arrancar em mim a máscara do que me faço,
Contra-quebrando o trautear palpitante dos sentimentos.
Tudo isso me ofereces tu, sem injúrias, sem ardis,
Com a surpreendente naturalidade em que te apresentas
Quando suavizas os mais quentes e ofegantes suspiros,
Quando insinuas o simples desafio da aproximação,
Quando no mal que me faz bem me ofereces
A paz do imenso artifício da conjunção
Da sedução dos teus encantos e do prazer que me dão
Em raros, sublimes, sempre breves encontros.

1 comentário:

Joli disse...

Wooooow! Adorei :D