4.16.2009

Destino Prometido

Ninguém consegue quebrar o feitiço
Quando se sofre em contentamento,
Ninguém consegue verdadeiramente opor-se
Ao que se vive como um fértil lamento.
Apenas consegue-se, aliado ao mistério,
Responder em franca confidência
A um qualquer sentimento sincero.

Procuro sem surpresa descrever o que não posso,
O que não sei, nem consigo alcançar
Nesta falsa incapacidade de compreender.
Assim espero mais um dia, perder-me nesta agonia,
Para sonhar com os doces sons e sabores
Que me alegram em fraterna fantasia.

Apenas quero ser livre desta estranha hesitação,
Ser tão claro como a luz, mais do que fiel à razão.
Não sei quando chegará esse dia, essa noite,
Em que regressarei diligente ao tempo desejado,
Num final ultrapassado, mais perfeito do que eu sonhei.
Para assim conseguir edificar-me num novo espaço
Onde julgue não sentir a redenção da sua claridade
Na avaliação persistente do afastamento lógico
Que permeia a degeneração dos meus sentidos,
A singeleza com que os ponteiros nos afastam
Nas distâncias da dança dos minutos sobre as horas,
Que privam a existência dos mais exaltados rumores
De um destino consagrado à mais poética afirmação.

Só em noites cheias de sonhos envolvo-me na esperança revolta
Das manhãs que se confirmam com a minha alma desorientada.
Ainda guardo a recordação dos desejos triunfantes
Que clamam por confiança nas sensações de perseverança
Em que me penso não dissolver quando dou ouvidos à razão,
Criando convicções que respeito simplesmente por assim resistir
Às noites cheias de fábulas convictas ao fado prometido
Onde me julgo eu fingir na ilusão quimérica da minha negação.

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