4.01.2009

Cegueira Poética

Recomeço onde parti,
O céu azul manifesto
Das coisas que nunca vi.
A húmida névoa
Recordo tardiamente
Nos traços curvos
Do mais fiel deslumbramento.
Sobre o estado do mundo
Esvai-se o desejo profundo
De me fazer comprometido
Às coisas que não vejo.
O equilíbrio não me basta,
Esqueço a fúria ser querer,
E o tempo que se gasta
Impede que me desfaça
Com o que não quero ver.
Se eu fingir o fingimento,
Contrariando em contratempo
As patéticas rimas soltas
Do mais saudoso encantamento,
Talvez consiga compreender
Que na mais poética rejeição
Realmente me afasto
Das coisas que não consigo ver.

7 comentários:

Chocolate & Lágrimas disse...

Em primeiro lugar, espantosa conjugação de palavras e excelente registo de sentimentos.
Em segundo lugar, apreciei a sua defesa quanto à minha poesia, e agradeço desde já tê-la elogiado.
Por último, parabéns pelo talento...

João Afonso Adamastor disse...

LoL...

:D

Chocolate & Lágrimas disse...

tem piada?

João Afonso Adamastor disse...

«Em segundo lugar, apreciei a sua defesa quanto à minha poesia, e agradeço desde já tê-la elogiado.»

... era a isto que me referia, ou melhor, ao outro sujeito 'anónimo'...
esse sim tinha piada!

:D

Chocolate & Lágrimas disse...

nesse caso.. ter piada é bom.

Joli disse...

Adorei ^^ Concordo, tens muito talento :)

Chocolate & Lágrimas disse...

obrigada :)