4.13.2009

Amanhã o sol renasce

Não sei o que aconteceu,
Se debaixo do sol
Foi mais cinzento o dia
Que de novo esmoreceu.
Não sei se esqueci
A promessas que fiz
Ou se a normalidade dos dias
Assim me obrigou.

O calor fugiu,
Aquele brilho sumiu
E a mesma vontade partiu...
Não será mera distracção
Este tempo sem motivo
Que a distância destruiu?
Partiram também as recordações,
Cessaram as inflexíveis motivações
Ou este sossego indiferente
Já não cativa as sensações?

Terá valor esquecer o tempo,
Como quem se esquece
Do que o fascina?
Será saudável negar
Tudo aquilo que se viveu
Ou já nada terá sentido
Se toda a esperança padecer?

Qual será o novo caminho,
Recordar satisfeito
Ou viver fugindo
Das memórias sorridentes
De sentimentos diferentes
Que não se voltarão a sentir?
Terá valor sentir mágoa,
Apelando ao sofrimento
Ou será mais valoroso
Superar o contratempo,
Guardando satisfeito
O passado desfeito
Por romances e epopeias?

Desconheço os acontecimentos
E a neblina que avisto ao longe
Mas reconheço as memórias
De velhos dias de sol.
Será mais fácil para mim
Reter na imaginação
Esses dias fulgentes
De fascínio e admiração,
Siga cada qual a sua moral.

É certo que o tempo mudou,
Como mudamos nós...
Só a distância nos recorda
Quando estamos fatalmente sós,
Trazendo razões à memória,
Destruindo as dúvidas
E as aflições confusas,
Fazendo-nos esquecer
Que o sol amanhã
Poderá de novo nascer.
Acalma o teu sofrimento,
Não vale a pena sofrer
Mesmo que te cause maior dor
Ou se tens medo de perder
As forças do desejo, o teu valor.

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