3.28.2009

Poeta Inexistente

Descubro o que não sou,
Que não existo e nada penso.
Julgo apenas encontrar-me,
Repousar e ficar suspenso.

Descrevo-me igual a outros,
Semelhante a mim próprio…
Num quase nada ausente
De desgraça e infortúnio.

Se me vejo capaz
Sinto-me indiferente,
Igual a tanta gente…
Embora exagere no gosto.

Não desperto o manifesto,
Também sou humano, indigente…
Fazendo-se passar pela sombra
De um poeta inexistente.

2 comentários:

peace disse...

A inexistência é uma condição natural de uma aldeia sobrepovoada com 6biliões de habitantes. O poeta apenas existe na obra que perdurará caso as palavras não se dissolvam no tempo e no anonimato.

João Afonso Adamastor disse...

É bem verdade, posso também julgar-me nessas averiguações... daí que me veja apenas como um 'poeta inexistente'.

:D