3.09.2009

Outras Idades

Há dias em que a minha identidade
Tem a idade que eu hoje tenho,
Outros faço-me com oitenta anos...
Como criança restam-me apenas
Alguns dos dias, meses e anos.

Há dias em que o desgaste
Dura por meses e anos,
Outros há com certeza
Que acreditam nos meus enganos...
Esquecendo toda a verdade
Daqueles dias velhos e profanos.

Há dias que desdenho a minha idade,
Outros que quase nada tenho...
Uns são divinos, outros enganos,
Os dias que quase vivi
São meses que se transformam em anos.

Há dias que não penso,
Outros há que só desejo
E em todos eles prevejo
Os meus desenganos tamanhos...
Só ontem compreendi
Porque pesam tanto os anos.

Há dias que não tenho idade,
Outros que me sinto com muitos anos...
Esquecendo-me nos desejos soberanos
Da criança que já fui.

1 comentário:

Mãozinhas disse...

Seria hipócrita se dissesse que não foi o teu comentário que deixou a porta aberta para este Allegro Allegorico...Mas ainda bem que assim foi...

Metamorfose humana tão bem espelhada neste poema. Como se aqui fosse tocado o acordeão de emoções humanas, inerentes a todas as idades, fictícias ou não, mais agudas e mais graves.

Adorei...

Anelar