3.22.2009

Na minha nave

*I*

A vida que abandono
E ao largo vejo passar,
Perder-me nas águas
Em que solidão expiro
Para as navegar…
Almejando o infinito
Vejo-me assim a divagar
E a cada hora que passa
A melancólica vida
É curta demais para durar…
Envelhecendo sempre primeiro
Antes de ver o mundo mudar.


*II*

Da minha saudosa nave
Não sinto a terra girar,
Apenas escuto o vento…
Vejo só o tempo a passar,
Tão apressadamente como nunca
Já mais me foi possível desejar.
Dispersando de lugar em lugar,
Sem pertencer a parte alguma…
E ter o meu espaço no meu eu.
Talvez o único sofisma
Ao qual o meu espasmo
Ainda não esmoreceu.


*III*

A minha nave deve ser sempre outra
E não muda de lugar,
Ainda não encontrei as razões
Para verdadeiramente a reencontrar.
Nas mentiras de outrora
Ficam apenas recordações,
O brilho agora é forte
Talvez me aproxime do seu norte
Ou de um novo destino prometido,
Tal é a grandeza do meu engano.
Faltam-me anos para me aproximar,
Tempo demais para conseguir mudar.

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