Aos deuses nego a existência
E fico eu nesta demência
A suspirar pelo irreal.
Desconhece os meus sofismas
E descobre assim a aliteração
De propor sem mistérios
A frágil coerência da suposição.
Na verdade não sei o que me prende,
Procurando apenas ser como sou
É na falta do que me alimenta
Que descubro quem sempre me encontrou.
Em nada me sinto vencido,
Reconheço em tudo algo superior,
Conferindo-lhe com o devido respeito
O cotejo de um real valor.
Como quimera que se deslinda
E que cego assim me tem posto
Na alma que já não é minha
Um distinto crepúsculo ao meu gosto.
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