4.15.2011

Circular

















Cleópatra, daqui escreve
Marco António, teu servo.
Encontra-me nesta mensagem,
Voltarei na luz distinta.

Quando Júlio César morreu
O nosso amor tornou-se livre
Mas Octávio venceu novo,
Em Ácio fez valor ao sangue frio.

Chegará ele com as suas legiões,
Entrará triunfante em Alexandria...
De nada valem as consagrações do triunvirato,
Protege Cesarião, herdeiro do império.

A prova há muito esperada
Que o amanhã chegou alvorece,
Desperta o mundo anónimo
Para a imagem imaginada
Da minha alma alterada
E tudo aquilo que não fui.

Propaga a existência por mais um período,
Nada efémero, puramente indistinto.
Maior que a dor do desabafo,
Reduzido pelo esgotamento do crepúsculo,
Pelo desatino do cansaço,
Em todo o limiar inconsciente.

Só um temor maior fará perder a chama
De um sempre eterno e futuro círio,
Só um desejo de sono profundo
E que nunca trás um novo amanhecer...
Não te deixes seduzir pelo conquistador,
Agora em Roma serás espólio de guerra.

Enquanto desfaço o peito de rompante,
Optarás pelo veneno da serpente.
Salvaguarda primeiros os teus filhos
Antes de executares a tua morte decente,
Esconde-os onde não os possam encontrar...
Despeço-me urgente minha amada,
Glória do pai entre os homens,
Rainha dos réis,
De um vasto império a Oriente.

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