3.22.2009

Averiguação Quadrática

Quatro linhas são o começo...
É neste plano que as faço existir,
Não as procuro noutro espaço,
Se têm as dimensões do meu traço.

Optei por uni-las em quadrados,
Fiéis às suas dimensões...
São como segmentos de diferentes rectas
Às quais proponho novas direcções.

Linhas, pontos, derivações...
Iguais nas suas lateralidades,
Fechando nelas os seus dons,
Como todas as variabilidades.

Quase sempre surgem difusos
E sem uma correcta proporção.
Surgem trapézios, rectângulos,
Outras vezes quase triângulos.

Mas sólidos quadrados não...
Se não respeito as razões,
Se só lhes dedico imaginação
Com as voltas que dou ao papel.

Quando me faço nas minhas paragens
Surgem sempre outras figuras,
Projecto sempre outras efígies,
Sem quadráticas estereotipagens.

Nunca desenho quadrados perfeitos
E os meus círculos são abstractos...
Os triângulo fazem-se sempre confusos,
Estranho-me com as suas relações.

Os mais abertos são obtusos
E não consigo entender os rectos...
Outros há que fazem-se mais espertos,
Duvido dos seus motivos tão concretos.

As intersecções destas figuras
São um algo sempre fascinante,
Do todo que lhes é internalizável
Só a mim fazem-se parte as definições.

Dos pontos equidistantes
Não se fazem as partes,
Os seus espaços integrantes
E excluem-se as suas obrigações.

Um quadrado pode ser rectângulo,
Provar o contrário é irrelevante...
Fico eu estático e recomeço,
Descrevendo quatro linhas de revesso.

Surge mais um trapézio
Que por mais recto que seja
Preenche o difuso tédio
Destas averiguações sem remédio.