3.31.2009

Averiguação Composta*

Os dias chegam
E com eles os versos
Em que me decomponho;
As noites caem
E assim regressam despertos
Os desejos que eu suponho.
Na morte ficam sós
Os meus cadernos de poesia,
Com traços nunca ousados
Onde respirei fantasia.

Divago procurando à distância
A distraída simulação
Do castelo ao qual confio
A guarda dos meus sonhos,
Em parábolas desmedidas
Pelo sibilado silencioso
Dos meus tormentos vulgares.

Esquadrinho em sentenças
Impressivas as minhas aspirações,
Julgando ver os quadros desertos
Quando estão apinhados de multidões,
Fartos e dispendiosamente excessivos
De exuberância e desperdício.

Maldito seja o vício
Que não o nego
Nesta minha libertinagem...
Os meus versos não têm cura
E sempre me motivam
A uma outra nova aragem
Que me recorda de onde parti.
Quando nem os dias
Nem as noites chegarem
E eu julgar que venci...
Só as palavras ficarão,
Serão o que resta de mim.

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