12.17.2008

Requiem Aeternam

Deixei-me levar pelo encanto,
Acordei de um sonho profundo,
Despertei em vão...
É sempre a mesma esfera,
Aquela chama, ilusão.

Deixei-me fantasiar pelo brilho,
Contagiou-me o frágil sorriso,
Desperta-me em vão...
Mais do que agora preciso,
Aquele sonho, ilusão.

Enquanto houverem palavras,
O sol irá nascer, sorridente será o dia,
Mesmo que hoje possa chover...
O tempo será sempre breve,
Enquanto crepúsculo possa contradizer
O sonho que já estava escrito,
A sua chama... ilusão.

Enquanto houver luz,
As noites serão olhares, o luar simpatia,
Mesmo que agora fantasie o verso...
Com o meu platonismo errante, a minha doce agonia,
Na sempre mesma quimera do universo,
O meu sonho... ilusão.

Sobre as estações

Encurtam-se os dias,
Perdem-se leves as horas…
Estendem-se longas as noites,
Passam breve as estações.
Perdem-se tempos infinitos,
Na imortal alegoria
Das minhas finais divagações.

Na decomposição de um mesmo ciclo,
O estado traduz descontínuas sucessões…
Se as folhas fracas fazem-se fortes
Não perecem como sermões.
A liberdade adquire-se da existência,
Das suas mútuas e múltiplas subjectividades…
Surgindo ao vento polar, nas suas ordenações.

Em outras realidades
Sinto-me como um relógio…
O meu presente já está ausente em mim.
Apenas conto as horas,
Os dias, os meses, as estações.
Talvez nunca para outros
Mas fazem-se sempre iguais, as minhas aflições.

Arrastam-se comigo,
Já não estranho as suas distracções…
Apressadamente o tempo foge perante mim,
Escasseiam-me as recordações.
Por isso solto as minhas folhas ao vento…
E aguardo algum do seu alento
Na sombra imaginada das ilusões.

Encurta-se a vida,
Perde-se levemente a indolência…
Estendem-se longos os serões.
Passam breves os finitos desejos,
Perdem-se as patéticas sensações…
No funesto sobejo da fantasia
Salvo as minhas sagradas estações.