5.26.2012
Perfeições
Olhar meigo, cabelos cor da noite
Silenciosos e rebeldes como as ondas do mar,
Fazem brilhar a dança do sol sobre o azul
No profundo céu do meu olhar
Naqueles dias em que as nuvens se afastam
Só para venerarem o teu sorriso sincero.
Tudo pára se tudo é contemplação,
Contagia-me o teu encanto
Ao sorrir-me esta aflição.
Procurei-o nos meus destinos
Mas nada de original encontrei,
São outros os dias de cansaço e tristeza
Em que mesmo assim não desanimei.
Até que o vento falou-me de ti,
De como é doce o teu suave deslizar,
Esclareceu-me que no tempo certo
Vais voltar, como tudo isto é mágico
E não será trágico este meu sonhar.
Quando abro a caixa das minhas fantasias
É a tua essência e não outra que procuro.
Julgo-me sempre mais perto do que pensava,
Nunca é simples de chegar onde os sonhos nos levam.
Quando fecho os olhos, é lá que te encontro,
Nos meus pensamentos, onde me faço dispersar.
Quando acordo a luz enche a escuridão,
Não encontro o teu olhar, mas ainda está aqui
No lugar em que não dou por mim só nesta ilusão.
Gostava de destruir a fortaleza
Que cresceu em meu redor,
O manto negro que me abraça.
Esta espessa capa de frio ardor
Que me aconchega na imensidão,
Como a que a todos nós nos encanta
E do som ouvido enche o coração,
Também envelhece como eu
Ao ritmo compassado da satisfação.
Gostava de te oferecer as asas de um anjo
Mas desvaneceriam ao fazê-las sonhar,
Nunca seriam pensadas para voar…
Apenas votadas ao teu encanto.
Por vezes desejo-te somente felicidade,
Na súplica afirmação do meu espanto.
A tua voz, o teu sorrido, é eterna saudade
Quando persigo no meu caminho olvido
A ternura da minha vida, esta ansiedade.
Os reencontros são sempre fugazes,
Espero sempre por novas manhãs,
Mesmo que breves e clandestinos.
Não abdicarei por outros, os meus desígnios
De fielmente perpetuar nos teus enigmas
as minhas dúvidas, nos teus segredos
Outras admirações, tamanha bondade
Com a justeza de um apaixonado
Rendido às tuas francas perfeições.
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5.22.2012
Doces de beijar
Lábios doces de beijar,
procuro o prazer nos teus
e nunca fico satisfeito,
tais caprichos merecem preceito
para que saciem os meus,
desejosos que estão dos teus
para por fim ao segredo...
oh, e arder como quem ama.
Lábios doces de beijar,
que outros que não os teus
em profundos silêncios guardados
quando tocam os meus,
sempre impacientes e recobrados
quando encontram os teus
em furtivos gracejos demorados,
oh tão sofredores que são.
E quando enfim com valentia
roubo uma dúzia de beijos,
cerram de volúpia os desejos
e dos suspiros faço canção,
de cores rubras na face
perco-me na carne dos teus,
lábios doces que beijo...
oh como enlouquecem os meus.
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5.19.2012
«A Mulher Mais Bonita do Mundo» - José Luís Peixoto
estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.
entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.
entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.
há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.
estás tão bonita hoje.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.
José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"
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